“Atenção. Não Deixe Ninguém e Nenhum Lugar Para Trás”
O Dia Mundial do Habitat celebra-se na primeira segunda-feira de outubro, e este ano não pode faltar, foi no dia 3 de outubro. Desde 1986 é celebrado pelas Nações Unidas, sensibilizando o direito básico de que qualquer pessoa tem direito a viver condignamente, mas também, para lembrar que todos nós temos o poder e a responsabilidade de moldar o futuro das nossas cidades e vilas. Assim surge o programa ONU-Habitat, realizando todos os anos o Outubro Urbano, inicia-se com este dia e termina com o Dia Mundial da Cidade a 31 de outubro (com o tema deste ano “Agir local, pensar global”).
O mote para este ano (todos os anos existe um diferente), é “Atenção. Não Deixe Ninguém e Nenhum Lugar Para Trás”, tem a intenção de abordar os desafios nas cidades e assentamentos humanos, refletindo o estado das cidades e o direito à moradia adequada aos cidadãos. Porque as condições de vida não são iguais em todo o mundo, infelizmente.
Por mais que não queremos tocar
sobre os acontecimentos recentes, estes acarretam sempre algo em nós e nos
outros. Desde o COVID-19 e a guerra, que cada vez mais surge pessoas que ou
deixam de ter casa, ou vivem num “barraco” porque não conseguem ter algo melhor,
ou até mesmo deixaram de ter possibilidades de pagar a renda ou prestação da
casa. Desde a perda de emprego, ao ordenado que não chega para tudo ou que é
quase nenhum. Enfim. Podem ser muitos os motivos. Um deles que me surge agora e
que acho importante falar, é o valor exorbitante das rendas. Para muitas famílias,
é algo que pesa muito no orçamento familiar e que se torna algo insuportável a
continuar com esta subida de preços. Como é possível, hoje em dia o valor de um
T1 ser no mínimo 600€?! Um jovem ou até mesmo um casal, que queira ter a sua
independência, a ganhar o ordenado mínimo (705€) como consegue suportar? Ou só
pagam as contas para ter uma casa e alimentam-se do ar, ou fazem como muitos,
continuam em casa dos pais, porque sem isso não conseguem.
Também o que começamos a ver, e
ainda esta semana surgiu uma reportagem. Muitos cidadãos estrangeiros, alugam
estas casas a preços de ouro ou até mesmo pavilhões, e vivem 10 a 15 pessoas
num sítio minúsculo, sem condições. É muito triste…. Na minha perspetiva, quem
coloca a alugar a estes preços quer dinheiro fácil e em pouco tempo, sem pensar
no bem-estar dos outros. Se fossem pessoas que pensassem bem, pelos ordenados
que as pessoas ganham não conseguem suportar estes preços cada vez mais altos. Se
não começamos a fazer como no Brasil, a construir favelas, bairros de lata?!
Tudo para termos uma casa onde possamos viver?
As câmaras podiam entrar aqui e
ajudar a combater estas desigualdades, existindo as pessoas que podem ter uma
vida digna na sua habitação e as outras que não o podem ter. Na minha opinião,
podiam dar rentabilidade aos prédios, casas e até terrenos que estão
abandonados há muito tempo. Criavam habitações a preços acessíveis e ao mesmo
tempo não tinham estes devolutos pela cidade. Temos o famoso prédio na Avenida
Lourenço Peixinho, desde que eu me lembro que sou gente, ficou na fase de
construção e ainda está lá a “morrer” até que alguém se lembre de fazer algo.
Temos de ser mais humanos, fazer com que as cidades cresçam e sejam
sustentáveis, que todo o esforço não seja em vão. Dar rentabilidade aquilo que
já foi feito e poder dar novas oportunidades seja a estes prédios, casas, mas
também as pessoas que precisam também desta oportunidade. Poderem ter uma vida
sem preocupações, se vão passar fome hoje ou se vão morar para a rua, porque
não têm dinheiro para poder pagar a renda.
Vamos fazer acontecer, “Atenção.
Não Deixe Ninguém e Nenhum Lugar Para Trás”!

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