Redon - o prato gourmet

Esta semana vamos falar da alimentação. Como bons portugueses, gostamos de comer e bem! Mas também temos de ter em atenção ao que comemos, não só pela nossa saúde, mas pela toda a sustentabilidade que é a alimentação.

Desde 1981 a 16 de outubro celebra-se o Dia Mundial da Alimentação, pois nesta data foi fundada a FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. Tem como missão o aumento dos níveis de nutrição e a qualidade de vida, melhorar a produtividade na agricultura e as condições de vida das populações rurais.



A nível mundial mais de 820 milhões de pessoas não têm alimentos suficientes, a junção da crise climática e a com a atual guerra na Ucrânia, faz com que esta ameaça esteja a crescer cada vez mais. Para termos noção, a indústria alimentícia é responsável por 30% do consumo energético mundial e por 22% dos gases que provocam o aquecimento global. Mas também temos o verso da moeda, por ano a nível mundial desperdiça-se mais de mil milhões de toneladas de alimentos. Com os preços a encarecer cada vez mais devemos ter mais esta consciência (não só por isso, mas quando nos afeta a carteira por vezes é que tomamos noção do que nos rodeia).

Hoje em dia, tem surgido aplicações e organizações que têm lutado para a sustentabilidade alimentar e ao não desperdício. A aplicação To Good To Go é uma delas, é uma aplicação gratuita que permite comprar, a baixo preço, os excedentes de comida que restaurantes, padarias, pastelarias, mercearias, frutarias e supermercados, que não chegam a vender ao longo do dia e/ou que estejam a chegar ao fim do prazo. É uma das soluções que para mim faz sentido. Ao mesmo tempo conseguem minimizar a perda de lucro, não desperdiçam vários recursos e também beneficiam os consumidores, pois estes conseguem adquirir produtos de qualidade a um preço reduzido.

A aplicação funciona da seguinte maneira: primeiramente o utilizador escolhe a localização e o raio de km, depois consegue ver os vários estabelecimentos que o rodeiam, a que tipo de produto a que se refere, quando é que pode recolher e o preço. O pagamento é feito através da aplicação, já utilizei e foi super fácil e intuitivo. O que também é bom, é que com base nas classificações que os utilizadores deram é atribuído um número de estrelas e são destacados o top 3 daquele estabelecimento. Vamos supor que um deles tem 4.8 estrelas e o top de destaque é: boa relação qualidade-preço, recolha rápida e a boa quantidade de comida. Assim, outros poderão ver se estão a fazer uma boa escolha ou não consoante os seus padrões.

Mas antes destas aplicações aparecerem, já alguns supermercados fazem algo parecido, quando algum produto chega perto do prazo de validade, é colocado à venda com preço reduzido e a informar.

As grandes superfícies também podem doar estes produtos (ou aqueles que não sejam vendáveis pelo seu aspeto, mas que estejam em boas condições para o consumo humano) a instituições que trabalham com o prepósito de eliminar o desperdício alimentar e ajudar pessoas que sejam mais carenciadas, como a Re-food.

Imagem retirada: https://re-food.org/

Mas não podemos só olhar para que os outros fazem, também temos de olhar para nós e construir hábitos que minimizem esta questão. Aqui em casa temos o hábito de fazer comida a mais (pois levamos as nossas “marmitas” para o trabalho), mas por vezes sobra e fica guardado no frigorífico. Passado alguns dias, estão pelo frigorífico as sobras de comida, mas nada vai para o lixo. A meio da semana existe aquele dia que não apetece cozinhar, e o famoso prato gourmet chega à nossa mesa o REDON (falando “português” as siglas para Restos D’Ontem), come-se o que há ou reinventa-se uma receita. E é tão fácil, não nos consumiu tempo nem dinheiro, só alguma imaginação!

Como o tema das Nações Unidas este ano é “Não deixar ninguém para trás”, vamos todos adotar este lema! Não vamos desperdiçar, não vamos praticar o consumo excessivo, nem abandonar comida no frigorífico!

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